*O cantinho da Bailarina de Caixinha*

Thursday, October 05, 2006

Finalmente...

A festa estava a acabar, "finalmente" pensara ela. Odiava festas de anos mas os amigos tinham preparado.lha com muito apreço e não ia desmanchar a surpresa por um mero capricho. Iam passar a noite no bar de um conhecido e depois seguiam para a garagem de um amigo, onde festejariam até de manhã e descansavam um pouco.

Tinham parado a música e todos se sentaram no chão à sua volta e, um a um, entregavam.lhe os temidos presentes (ideia dos amigos). Havia verdadeiros absurdos dentro de cada caixa, mas ela apenas sorria e assentia com a cabeça como forma de agradecimento.

Sentia-se vazia, a cada minuto que podia respirar sem estar sob os olhares pressionantes e penetrantes dos colegas, erguia-se um pouco sobre os joelhos nus e espreitava, procurando alguém com quem julgara, um dia, já ter sonhado. Não sabia o seu nome completo, se tinha alguma cicatriz ou o estado civil dos seus pais, mas conhecia cada traço do seu rosto, cada articulação do seu pescoço ou cada ruga do cerrar dos olhos doces quando sorria. Pousou o queixo sobre o ombro destapado pela camisola descaída e olhava o negro profundo do céu e massajava as têmporas da dor de cabeça que sentia pelo burburinho que enchia a sala pela lingerie escandalosa do super homem que a amiga lhe oferecera sarcasticamente.

Mais presentes seguriam, mais sorrisos superficiais e forçados foram esboçados numa face que apenas pedia para ser fertilizada com as lagrimas esganadas, aflitas desde o inicio da noite para se soltarem.

A manhã aproximara-se e ela ali continuava, olhando o céu que nada dizia ou desvendava, abraçada aos joelhos magoados pelas horas que passara sobre eles naquele chao frio e irregular. Todos a rodeavam, as amigas sentavam-se à sua volta e contavam histórias hilariantes sobre as noites anteriores passadas com os namorados ou de como o rapaz mais lindo da escola se fizera a elas descaradamente pela net. Todas soltavam gemidinhos histéricos e gargalhadas enquanto a outra olhava para o tecto dramaticamente e corava à medida que ia contando os pormenores da intimidade do parceiro. E ela nada ouvia, mantivera-se alternando o olhar entre um pouco qualquer invisivel no céu e o seu reflexo assustador e escuro no vidro.

Levantou-se bruscamente e gritou "vamos embora" e todos bateram palmas e assobiaram alegremente, como se aquilo significasse mais diversão. Dirigiu-se até à sua mala, tentando lá guardar algumas das coisas que recebera de modo tão atrapalhado que nem reparou que estava gente atrás de si. Embarrou contra umas quantas, mas apenas uma não se mexeu o disse alguma coisa. Tinha um ramo de flores na mão e um cartão em forma de bailarina. Ela riu-se e deitou a mão à cabeça, ele sorriu-lhe. Sentia saudades de todas aquelas expressões tão perfeitas e combinadas. Eçe empunhou-lhe o ramo, dando-lho. Ela olhou-o bem de longe, sorriu timidamente e gesticulou um silencioso "obrigada" com os lábios secos e trémulos, mas logo lhe disse muito baixinho:

- Sou alérgica a margaridas - Ela fez beicinho e logo rebentaram os dois em gargalhadas por aquele estranho comentário - Mas obrigada pelo cartão!

Ele inclinou ligeiramente a cabeça e piscou-lhe o olho.

Perante alguns minutos de silêncio entre eles, ela lembrou-se e disse, rindo:

- Queres que to devolva?

Ele riu-se de novo e, desenterrando por fim as mãos dos bolsos apertados, removeu o ramo dos braços dela e pronunciou-lhe:

- Não, apenas quero que TU te devolvas a mim!

Agarrou-a pela cinta e beijou-a sem medo. Abraçaram-se, tocaram-se e beijaram-se sem fim. "Finalmente" disse-lhe ela!





este texto é po titi porque nunca lhe dediquei nenhum e é nele que me inspiro para a maioria ^^ ehehe! :D adoro.te piqinuxo ^^' *

bailarina *** <3

1 Comments:

  • At 7:44 AM, Blogger Chocapic * said…

    Simplesmente esta' divinal. (:

    Tenho uma la'grima a espreitar no canto do olho. Um sorriso ti'mido abriu-se no meu rosto.

    Não receio de forma alguma em confessar-te que gostava que algo do ge'nero me acontecesse. Gostava de encontrar aquele tal que entra em todos os meus sonhos. Conheço-lhe cd traço, cd gesto. Ms n sei o seu nome.

    Acredito q um dia, tlvz um dia ele me apareça. N precisa d ramo d flores (x'D).. basta ele e so' ele.

    Um dia.. td sera' melhor (: Td brilhara' d um modo diferente.*

    BxinhO na bochecha da Mariana*
    Adrt*

     

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