Tanto de tão pouco...
Esperou-o ao sol, lendo ou apenas olhando para as letras perdidas e trémulas que viajavam com a sombra da árvore atrás de si. Contava cada minuto... Quanto mais a hora se aproximava, mais longe a sentia.
Odiava aquela espera! Por mais encontros que houvesse, sentia sempre aquela ansiedade, aquele desejo de que fosse aquele o metro, aquela angústia férvola de o ter em seus braços e poder rir com ele.
Por vezes, perdia-se na leitura vazia e sentia o seu doce beijo, o abraço reconfortante, o calor da sua respiração no seu pescoço. De repente, um arrepio frio subiu-lhe pelo corpo e congelou em seus olhos.
Ela sentia a sua falta com tanta mágoa, tinha tanto medo de que cada espera fosse a última.
Um minuto, o aviso interrompeu-lhe o pensamento. Virou a página e tentou concentrar-se, disfarçando. Ele chega, ela sente-o mas não o consegue olhar. Finge-se surpreendida, ele beija-a, senta-se com ela e namoram felizes. Os desabafos de um amor tão arriscado e ferido em si não conseguem sair, tem medo de um fim. Tem medo que o fim seja a sua insegurança.
Beija-o de novo, o dia passa, despedem-se, ele conta os dias para um novo encontro, ela para uma nova espera.
Um dia pode ser tarde...

