*O cantinho da Bailarina de Caixinha*

Wednesday, September 13, 2006

Não...

Sentados, lado a lado, olhando algo bem longe que, de alguma forma os separasse.

Ela, inquieta, irreconhecivel pela subita mudez que a atacara, agarrava a cadeira cada vez com mais força, talvez tentando fazer esquecer a sua situação desconfortável.

Ele, calmo demais, alternava o batimento dos dedos no braço da cadeira, olhando para as pequeninas luzes que espreitavam do texto forrado.

Já todos se haviam sentado, pousado as bebidas e os enormes e sugestivos pacotes de pipocas. Eles eram os únicos que nada tinha a seu colo.

As luzes apagaram-se e uma quantidade milenar de publicidades estrondosas e barulhentas permitiu aos mais atrasados de arranjarem a sua fila e se sentarem.

O filme finalmente começou. Ele aconchegou o braço na cadeira, o que a fez afastar-se e proteger-se de alguma confusao que pudesse causar.

Cada vez que o seu telemovel tremia, ele espreitava e aproveitava a escassa luz para a olhar, reconhecer os seus traços, aqueles que queria afastar de si mas que cada vez mais o atordoavam e o faziam pensar em loucuras com aquela rapariga.

Absorvida pelo filme, escapou-lhe o momento em que, de novo, ele se acomodava na cadeira e acidentalmente, as suas mãos acabaram por tomar contacto. Eles não trocaram sequer um olhar, cientes do que houvera sucedido. Separaram as mãos, a dele quente e acolhedora, a dela completamente pálida e gélida.

Era uma comédia romântica, e já estava perto do fim. No filme via-se o casal principal num cinema open-air e beijam-se, imitando o filme que viam. A mesma imagem sucedeu naquele cinema. Todos os casais acabaram por se beijar, todos os namorados da fila o fizeram e eles apenas se limitavam a olhar para o ecrã, ela tremendo a perna, ele traçando um gesto nervoso com a mão sobre o queixo.

Passado instantes, ela, nervosa, chegou-se a ele em silêncio e murmurou:
- Porque me fazes isto?...

Ele engoliu em seco, e continuando a olhar fixamente para o painel acabou por responder:
- Isto o quê?

Perdeu o medo. Acomodou-se com violência na cadeira, virou a cara dele e impiedosamente respondeu, fazendo força na voz calada, como se berrasse em silêncio:
- Deixas-me assim... Sem resposta, sem saber como agir! O que te fiz?

Ele olhou através dos seus olhos já húmidos e, vendo uma tristeza inconsolável, lutou contra a sua mão e voltou a olhar para o painel. Ela suspirou, passou a mão pela testa e voltou a virar a cara dele para a sua, agora chorando mesmo.

- Não sei, não sei mesmo o que te fiz, mas não te vou pedir perdão porque nada fizeste para mudar isto entre nós! Qual é o meu problema? O que há de errado em mim?? Diz-me! Responde-me! - o tom de voz foi aumentando e ela ia apertando o queixo dele cada vez mais por entre os dedos completamente descontrolados. Não aguentou e deixou-se levar pela dor que sentia. Disparou num choro alto e ruidoso, baixando a cabeça de desespero pela ilusão em que caíra. Olhou-o de novo. Ele assustou-se com a dimensão daquelas lágrimas, com o barulho daquele soluçar pulsante que se fazia soar em toda a sala.

Ela perdeu o controlo, deu-lhe um beijo na cara, intenso e demorado e afastando-se acabou por repetir, premindo melancolicamente as sobrancelhas tristes:
- O que há de errado em mim?

Ele continuava impávido a olhar para ela, sério e calado, como se nada se passasse! Ela pôs-lhe a mão pesada no ombro e continuou enchendo-lhe a face de beijos. Agarrou-lhe a cara e beijou-a desaforadamente. Seguiram-se segundos em que ela olhou para ele nos olhos, mas o seu olhar estava longe, agia como uma estátua, nada dizia ou fazia. Voltou a chorar mais um pouco e, lentamente, foi de encontro à sua boca. Beijou.lhe o canto da boca, roçava os seus lábios nos dele, chorando. Deu-lhe beijos pequeninos, pressionou a sua boca contra a dele. Ele, começou a sentir as lágrimas dela na sua cara, mas continuava sem se mexer. Ela, continuava a beijar-lhe os lábios, sussurando desesperadamente que lhe dissesse o que havia de errado nela. No último beijo, ela colou os seus lábios nos dele, e aí ficou, chorando e soluçando cada vez mais. Ele, saturado, cerrou os olhos, respirou longamente e não resistiu. Beijou-a com ardor!


*** bailarinaa <3

2 Comments:

  • At 10:34 AM, Blogger Joana. said…

    Ahhhhhh ;____________________;


    Qero um amô decis dxi cinema*

     
  • At 10:34 AM, Blogger Joana. said…

    Ahhhhhh ;____________________;


    Qero um amô decis dxi cinema*

     

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