*O cantinho da Bailarina de Caixinha*

Wednesday, September 13, 2006

Esperar...

Entrou no metro, sentou-se ao pe da janela e foi para o porto.

Saíu, um pouco perdida no espaço, mas depressa se encontrou. Dirigiu-se para a praia. Tomou um sumo ali perto, estava frio. Arranjou uma mesa ao canto da sala, pediu um sumo de laranja e foi bebendo calmamente, apertando o casado de vez em quando. Bebeu metade do copo, limpou os cantos da boca a um guardanapo, pagou, e deixou o café extremamente cacófono e confuso.

Foi andando pela beira da praia, agarrando as mangas fundas do frio que sentia. O vento cortante batia-lhe na cara, despenteando-a. Passara o edificio de vidro e decidiu repousar um pouco. Seguiu mais um pouco e acabou por parar na passadeira de madeira, apoiando o cotovelo no pau humedecido pela maresia. Uma nubelina bastante espessa rodeou toda a praia, tornando o ambiente ainda mais pesado e fazendo-a sentir cada vez mais sozinha.




Ele estava em aula, aula de surf. O mar estava bravo, furioso, o que de certa forma era bom, mas algum surfista jamais tivera medo das ondas como naquele dia. Estava frio cá fora, vento tão violento como o mar, mas o fato protegera-os de certa forma. Quando o novo grupo de surfistas se preparava para entrar "em alto mar", um nevoeiro aterrador gerou-se e, apressadamente, todos saíram da água, correndo cansados. Alguns andaram poucos metros e sentaram-se na areia, polindo a prancha. Outros atiraram-na para longe, despindo o fato.




Ao longe, via corpos a sairem do mar, corcundas e estafados. Uns sentaram-se rapidamente, outros iam tirando os fatos. Algures entre todos eles, ela via alguém, um conhecido, enrascado com o fato húmido que não queria sair. Ela endireitou a sua postura, agarrou as mangas com mais força e voltou a olhar, sorrindo. O fato estava pela cinta, a pele morena e molhada estava destapada e gelada do frio exterior.





Ele abanava o cabelo e ria com alguns colegas. Puxando o fato um pouco mais para baixo sem sucesso, decidiu-se por pegar na prancha e subir pela praia, indo de encontro com as suas coisas. Mas, a meio, vê alguém, alguém que lhe parecera familiar. Abrandara o passo, pousara a pracha e, apoiando-se nela, sorriu intensamente.




Ela, decifrando a expressão do rapaz, acenou-lhe delicadamente, tentando esconder algum nervosismo e atenuando a felicidade infindável que a invadia naquele instante. Ficaram parados, olhando-se por minutos. O nevoeiro atenuou-se, e uma brisa apressada passou entre os dois, despenteando-a e arrepiando-o. Ela puxando o cabelo para um lado e encolhendo ligeiramente o pescoço e os ombros para não esfriar, deu um passo atrás, mostrando ao rapaz que viesse. Ele foi ter com as suas coisas e preparou-se em escassos minutos.




Foi até à passadeira, ela estava de costas, de novo apoiada no grosso pau. Deu pequeninos e silenciosos passos, e pôs-lhe a mão na cinta, esperançoso e feliz por finalmente aquele momento chegar... Aquele tão esperado momento em que estariam juntos de novo em que apenas saboreassem a presença alheia, sem dizer uma única palavra. Quando ela se virou, ele sorriu, mas algo de terrível acontecera! Não era ela, a rapariga que vira, havia qualquer coisa de errado naquilo tudo! Ele deu um passo atrás, procurou por ela e, quando olhou para trás, viu-a, já bem longe, olhando-o. Ela, lançou-lhe um sorriso malandro e seguiu, segui para longe. Ele encostou-se à prancha, rindo baixinho... Sabia que teria de esperar por ela, mais uma vez....


*** bailarina <3

1 Comments:

  • At 10:29 AM, Blogger Joana. said…

    Oh meu santo deus, tá lindo mesmo, adorei ^^

    Aqela espectativa toda e dps ela malandra foi-se ^^ góoostei!

     

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