*O cantinho da Bailarina de Caixinha*

Friday, October 27, 2006

Fim [2]

Muito tempo passara.

Continuavam amigos, mas já mal se viam e pouco sabiam um do outro ultimamente. Com a proximidade das férias, todos decidiram se encontrar e rever. Ela foi com uma amiga comum, a qual cedera a sua mão a viagem toda à rapariga que, tão nervosa, apertava como se a fosse estilhaçar.

No ponto de encontro, estavam todos menos ele. A amiga vira-se e diz que não deve vir, até que ele entra acompanhado por uma rapariga. Todos olharam a desconhecida com espanto, deixando-a transtornada. Ele esquecera tudo e, enquanto se aproximava, disse aos amigos, agarrando a rapariga pela cintura:

- Esta é a minha namorada...

Ela olhou-o, apertanto ainda mais a mão da amiga para não deixar toda aquela tarde por ali. Compraram os bilhetes e entraram na sala de cinema, a mesma sala onde tudo tinha começado, o palco de toda a primeira peça: o primeiro erro, o primeiro beijo, o primeiro toque. Sentaram-se longe um do outro. O filme começou.

Ela olhava-o discretamente e via o casal atento a todo o filme. Voltou a olhá-los e via-o irrequieto no lugar, como da primeira vez que estivera a seu lado. O pressentimento assolara-a e por isso não conseguia desviar a atenção dos 2. Viu-o aproximar-se da companheira, chegá-la para si e beijá-la. Ela começou a chorar de maneira furiosa e saíu da sala, seguida pela colega preocupada. Já cá fora, as duas abraçaram-se.

- Eles beijaram-se! Eu não suporto vê-la a beijar uns lábios... que já nao sao meus! Eu nao aguento!

Chorou desaforadamente no ombro da amiga, até que o sente atrás de si.

- Posso falar contigo?

Ela não se virou para ele nem respondeu, mas a amiga retirou-se, silenciosa e discreta. Ele aproximou-se.

- O que se passa?

Ela voltou a não responder.

- Ouve-me! Não há nada que possa fazer! Eu já fui feliz contigo, muito, mas agora... eu sou com ela, acredita...

Manteve-se calada.

- Por favor, diz qualquer coisa! - ela sentiu dor na voz dele, tal como na despedida - Porque não olhas para mim?

Ela soluçou e acabou por dizer:

- Porque não quero que me vejas a chorar...

Ele sorriu e disse, bem perto dela:

- Foi o que disseste no nosso primeiro encontro.

Ela virou-se e disse, impiedosamente:

- E é o que digo no último!

Afastou-se... esperou para sempre! Fartou-se de mentir!
bailarina *@ <3
adoro.te ainda mais *

Fim [1]

Juntos e estranhos.

Nunca um encontro seu tinha sido tão esquisito. Tornaram-se uma rotina, estavam sempre juntos, abraçados, mostravam o quanto gostavam um do outro. Mas, naquele dia, quanto mais a distância encurtava, mais longe desejavam estar. Olharam-se de longe e ela não sorriu, nem acenou ou acelerou o passo para cair nos braços do seu amor. Ele não saiu do seu grupo de amigos, contornando todas as pessoas sem cuidado para finalmente a agarrar e beijar sem fôlego.

Foram-se aproximando lentamente, cumprimentaram-se com um beijo rápido e superficial e mantiveram-se lado a lado, ouvindo, desatentos, as novidades dos colegas. Ela sentou-se e ele repetiu-a segundos depois. A rapariga encolhia os ombros, enfiava-se por entre o cachecol, pressionava as mãos por entre as pernas e olhava para longe, tentando resistir ao vento contundante que lhe feria a cara e lhe puxava o cabelo para trás. Ele, apático, retirava continuamente o telemóvel do bolso, tentando procurar alguma distracçao.

A campaínha soou bem alto, rompendo o frio e todos se retiraram, menos eles. Ali ficaram, em silêncio, por mais alguns instantes até que ele diz de forma rápida e inesperada:

- Está tudo tão esquisito...

Ela olhou para ele e acenou positivamente, mas permaneceu calada.

- Está tudo tão confuso... inseguro...

Ela olhou-o mais profundamente, pôde ver alguma dor perante aquele olhar distante. A voz falhava-lhe, as palavras não lhe saíam mas acabou por pronunciar com algumas falhas:

- Pois... Eu não sei mesmo...

Ele virou-se para ela violentamente e, decidido, disee-lhe em tom grave e tentando trespassar alguma autoridade pela voz tremida, mas sem conseguir olhá-la nos olhos:

- Precisamos de um tempo... Um longo tempo...

Os olhos dela encheram-se de lágrimas, todos os momentos passaram-lhe pela cabeça, relebrou todas as gargalhadas, provou de novo todos os beijos e sentiu o abraço dele como se fosse a primeira vez. Mas, calorosamente, agarrou-lhe a cara, olhou-o bem de perto e, sorrindo como que para esconder as lágrimas do fim, disse-lhe:

- Lembra-te das nossas memórias, mas não tenhas medo de arranjar mais algumas!

Sorriu-lhe de novo e beijou-lhe a testa, tinha que ir. Deslizou a sua mão na dele uma última vez e saíu, enquanto o olhava e gesticulava com os lábios palavras de conforto. Ela desapareceu no nevoeiro da rua.


Mentiu-lhe...
bailarina *@ <3
adoro.te*

Friday, October 20, 2006

2 segundos

Saíram todos e encontravam-se naquele recatado café. Chovia intensamente.

A sala era pequena e acolhedora e tinha um ambiente bastante quente, familiarizando-os de imediato. Rindo, começavam a despir os casacos, a acomodar-se e a fazer os seus pedidos. Os casais, unidos, abraçavam-se e ocuavam toda a mesa, mas eles continuavam separados. Olhavam-se mas não se viam, trocavam mensagens mas nada se ouvia. Apenas o clime reconfortante passara e eram envolvidos pela culpa e ressentimento de palavras de ódio que houveram trocado inconscientemente.

A tarde passara rápido para todos e marterizante para os 2, cada segundo torturava-os e magoava-os pela distância cruel a que se sujeitavam. Ela tremia, mordia o lábio, inquietava-se na cadeira barulhenta. Ele olhava-a, pestanejava lentamente para lhe mostrar a dor que sentia por todo aquele erro. Todas as feições decifravam sinais impressectiveis aos olhos de outro qualquer.

Mais um tempo passou, mais a chuva acelarara e o céu furioso trovejava. Ela tinha medo e pressionava os pulsos para se controlar. Ele fazia o mesmo, mas de dor por não a poder abraçar e reconfortar. Ele desistiu, envolveu-se no clima divertido do grupo, deixando-a incomodada. Os seus olhos encheram-se de lágrimas por ouvir o riso que era só seu partilhado e correu para a rua, seguida por ele.

Saíu e deixou-se estar à chuva, de cabeça baixae com as mãos nervosas afundadas nos bolsos do casaco comprido. Uma porta fechou-se atrás dela, ele apareceu e encostou-se ao pilar húmido da porta, olhando-a virada de costas para si. Ela começou a mexer timidamente com os pés nos paralelos do passeio e disse, gracejando sarcasticamente com um tom de mágoa e tentando fazer-se ouvir através do som ensurdecedor da chuva:

- Tu sabes que eu gosto da chuva porque posso chorar sem que ninguém o saiba...

Andou de um lado para o outro, rebentando num choro infantil e desesperado, e ele ali ficava. Sentia-se enclausurado no silêncio e na ignorância de não saber o que fazer. Ela virou-se, de olhos vermelhos, de cara magoada e com o peito com um ritmo ofegante e disse, recuando continuamente:

- ... Tens 2 segundos para mudar a minha vida!... - deitou as mãos à cabeça pela certeza de que tudo iria permanecer da mesma estúpida maneira.

Ele manteve-se parado enquanto ela seguia tristemente para a estrada. Ele corre até ela, agarra.lhe na cara, toca o seu nariz frio no dela, entrelaça os dedos no cabelo molhado e escorrido, passa os lábios por uma gota de chuva que lhe escorria sozinha ca face e dá.lhe um beijo demorado e quente nos lábios.



bailarina *@ <3

Monday, October 16, 2006

Sem hora...

Estavam no rio e a noite começava a chegar. Todos saíram e correram até ao acampamento. Foi um dia estafante. Alguns entravam nas tendas e logo adormeceram sem comer, mas houve uma grande parte que decidiu ficar à fogueira ou partir numa caminhada que não teria hora de chegada...

Ela chegou e sentou-se ao pé do fogo reluzente, mirando cada uma das partes do seu corpo minunciosamente e buscando pormenores profundos perante a luz que por vezes lhe fugia. Ali ficou um pouco. A noite tinha um clima agradável e o escuro acolhedor chamou-a para a tenda.

Caminhou com muito cuidado até ela, entrou silencionamente para não acordar a amiga e deitou-se. Não dormiu, apenas cerrou os olhos e ficou escutando os escassos sons da noite enquanto o sono se apoderava lentamente de si.

Quando estava quase a ceder ao cansaço, ouviu barulhos de intenção cuidadosa bem perto. Ela nada viu, continuou de olhos fechados mas sorriu, pressentiu-o.

Ele chegou-se a ela, deitou-se a seu lado e virou-a para si. Ela abriu os olhos e beijou-lhe a testa, sorrindo de novo, olhando-o profundamente. Ele enlaçou-a nos braços, estava quente e com o tronco nu. Ela, entediada entre ele, foi-lhe plantando beijos húmidos e sugantes pelos ombros. Agarrou-o no pescoço e beijou-o longamente nos lábios. Continuou deitada, cedendo-lhe a cada gesto e deixando-o pôr-se sobre ela, beijando-a e passando a mão apaixonadamente por entra a camisola e a barriga arrepiada.

Deitaram-se então de novo, segurando os pescoços um do outro, despediram-se da noite por mais alguns beijos e ela, agarrando-lhe na mão e dando um último beijo molhado no peito dele, disse baixinho:

- Boa noite, meu amor!

Ele acariciou-lhe o cabelo e respondeu:

- Boa noite!

Assim adormeceram, ela ao som do batimento pulsante e suave do seu peito, ele com o calor da mão sempre firme dela agarrada à sua.. e partiram num sonho que também não tinha hora de chegada...





vá, este é dedicado à 'nha mana pris pq ela merecia um bonito, apesar deste não ter nada d inventado ^^ eheh!


bailarina *@ <3

7 de Outubro

Era fim de tarde, estava um dia fechado e escuro, o ambiente soava-lhe frio e pesado... Ela estava sentada na beira da cama de pernas cruzadas, arqueada para procurar a luz que lhe restava da janela para que conseguisse decifrar as pequeninas palavras do livro. Espreitava para o telemóvel, esperando um mequinho sinal que no fundo sabia que não iria receber! Odiava-o por tudo aquilo parecer tão simples aos seus olhos, por ele não procurar resposta alguma às dúvidas que tão nervosamente afirmava que também o assediavam, por atirar frases e mundos impossíveis para a cabecinha remexida dela. O livro estava a emocioná-la, mas ainda não entendera o conteúdo. Só palavras de dor, esperança e futuro lhe saltavam à vista como se tudo o resto se apagasse. Por vezes desviava os olhos do livro, morando os pormenores do trabalho da madeira do parapeito ou da posição dos seus dedos em relação às letrinhas... Passava lentamente as pontas dos dedos pelas páginas apenas para se abstrair da leitura e reflectir sobre tudo aquilo que lhe corria furiosamente pelo pensamento. Mas logo se arqueava um pouco mais e esforçava a vista para se concentrar plenamente na leitura, sem qualquer sucesso e ela sabia-o bem. Todos na casa a chamavam mas ela absorvia-se ainda mais na "leitura". A noite chegara quase de repente, distraira-se de novo e quando dera por si ká mal conseguia ler o que quer que fosse. A chuva chegara também e as gostas monstruosas suicidavam-se como pedras contra os vidros resistentes. A cada gota mais grossa e rápida, o seu coração saltava de dor, o quarto ecoava o estrondo e os seus dedos tremiam sobre a folha de medo.
Uma vez mais estava adormecida, olhando para o que a noite triste lhe trazia de novo, até que o telemóvel toca. Nova mensagem: "eu acho que realmente gosto de ti...". Ela dobrou calmamente a página do livro, fechou-o, pousou-o no fundo da cama, puxou o cabelo molhado para trás, fechou a persiana e as cortinas, agarrou as mangas da camisola e explodiu, chorou, gritou, afundando-se na almofada dura, lendo a mensagem vezes e vezes sem conta...



bailarina **@ <3

Thursday, October 05, 2006

Finalmente...

A festa estava a acabar, "finalmente" pensara ela. Odiava festas de anos mas os amigos tinham preparado.lha com muito apreço e não ia desmanchar a surpresa por um mero capricho. Iam passar a noite no bar de um conhecido e depois seguiam para a garagem de um amigo, onde festejariam até de manhã e descansavam um pouco.

Tinham parado a música e todos se sentaram no chão à sua volta e, um a um, entregavam.lhe os temidos presentes (ideia dos amigos). Havia verdadeiros absurdos dentro de cada caixa, mas ela apenas sorria e assentia com a cabeça como forma de agradecimento.

Sentia-se vazia, a cada minuto que podia respirar sem estar sob os olhares pressionantes e penetrantes dos colegas, erguia-se um pouco sobre os joelhos nus e espreitava, procurando alguém com quem julgara, um dia, já ter sonhado. Não sabia o seu nome completo, se tinha alguma cicatriz ou o estado civil dos seus pais, mas conhecia cada traço do seu rosto, cada articulação do seu pescoço ou cada ruga do cerrar dos olhos doces quando sorria. Pousou o queixo sobre o ombro destapado pela camisola descaída e olhava o negro profundo do céu e massajava as têmporas da dor de cabeça que sentia pelo burburinho que enchia a sala pela lingerie escandalosa do super homem que a amiga lhe oferecera sarcasticamente.

Mais presentes seguriam, mais sorrisos superficiais e forçados foram esboçados numa face que apenas pedia para ser fertilizada com as lagrimas esganadas, aflitas desde o inicio da noite para se soltarem.

A manhã aproximara-se e ela ali continuava, olhando o céu que nada dizia ou desvendava, abraçada aos joelhos magoados pelas horas que passara sobre eles naquele chao frio e irregular. Todos a rodeavam, as amigas sentavam-se à sua volta e contavam histórias hilariantes sobre as noites anteriores passadas com os namorados ou de como o rapaz mais lindo da escola se fizera a elas descaradamente pela net. Todas soltavam gemidinhos histéricos e gargalhadas enquanto a outra olhava para o tecto dramaticamente e corava à medida que ia contando os pormenores da intimidade do parceiro. E ela nada ouvia, mantivera-se alternando o olhar entre um pouco qualquer invisivel no céu e o seu reflexo assustador e escuro no vidro.

Levantou-se bruscamente e gritou "vamos embora" e todos bateram palmas e assobiaram alegremente, como se aquilo significasse mais diversão. Dirigiu-se até à sua mala, tentando lá guardar algumas das coisas que recebera de modo tão atrapalhado que nem reparou que estava gente atrás de si. Embarrou contra umas quantas, mas apenas uma não se mexeu o disse alguma coisa. Tinha um ramo de flores na mão e um cartão em forma de bailarina. Ela riu-se e deitou a mão à cabeça, ele sorriu-lhe. Sentia saudades de todas aquelas expressões tão perfeitas e combinadas. Eçe empunhou-lhe o ramo, dando-lho. Ela olhou-o bem de longe, sorriu timidamente e gesticulou um silencioso "obrigada" com os lábios secos e trémulos, mas logo lhe disse muito baixinho:

- Sou alérgica a margaridas - Ela fez beicinho e logo rebentaram os dois em gargalhadas por aquele estranho comentário - Mas obrigada pelo cartão!

Ele inclinou ligeiramente a cabeça e piscou-lhe o olho.

Perante alguns minutos de silêncio entre eles, ela lembrou-se e disse, rindo:

- Queres que to devolva?

Ele riu-se de novo e, desenterrando por fim as mãos dos bolsos apertados, removeu o ramo dos braços dela e pronunciou-lhe:

- Não, apenas quero que TU te devolvas a mim!

Agarrou-a pela cinta e beijou-a sem medo. Abraçaram-se, tocaram-se e beijaram-se sem fim. "Finalmente" disse-lhe ela!





este texto é po titi porque nunca lhe dediquei nenhum e é nele que me inspiro para a maioria ^^ ehehe! :D adoro.te piqinuxo ^^' *

bailarina *** <3