*O cantinho da Bailarina de Caixinha*

Friday, March 23, 2007

Tanto de tão pouco...

Era cedo...

Esperou-o ao sol, lendo ou apenas olhando para as letras perdidas e trémulas que viajavam com a sombra da árvore atrás de si. Contava cada minuto... Quanto mais a hora se aproximava, mais longe a sentia.
Odiava aquela espera! Por mais encontros que houvesse, sentia sempre aquela ansiedade, aquele desejo de que fosse aquele o metro, aquela angústia férvola de o ter em seus braços e poder rir com ele.
Por vezes, perdia-se na leitura vazia e sentia o seu doce beijo, o abraço reconfortante, o calor da sua respiração no seu pescoço. De repente, um arrepio frio subiu-lhe pelo corpo e congelou em seus olhos.
Ela sentia a sua falta com tanta mágoa, tinha tanto medo de que cada espera fosse a última.

Um minuto, o aviso interrompeu-lhe o pensamento. Virou a página e tentou concentrar-se, disfarçando. Ele chega, ela sente-o mas não o consegue olhar. Finge-se surpreendida, ele beija-a, senta-se com ela e namoram felizes. Os desabafos de um amor tão arriscado e ferido em si não conseguem sair, tem medo de um fim. Tem medo que o fim seja a sua insegurança.

Beija-o de novo, o dia passa, despedem-se, ele conta os dias para um novo encontro, ela para uma nova espera.

Um dia pode ser tarde...


Mariana <3

Continua...

A cada encontro, a cada alerta, ela tenta... Tenta agradar, tenta nunca fazê-lo sequer pensar num arrependimento, no passado que, fosse o que fosse para muitos, o satisfizera.

Ela tentava, tentava dar-lhe tudo o que ele já teve para que nunca sinta falta, tentava dar-lhe tudo o que tivesse para dar, mas nada tinha... A verdade era tão falsa... A sua verdade era tão hipócrita, tão egoísta... Ela não tinha nada...

Era tão vulgar, roupas vulgares, risos vulgares, expressões, gestos, olhares tão vulgares! Dúvidas vulgares, comentários vulgares, tristezas e desesperos vulgares...

Tragédias vulgares... Não consegue, tenta... Tenta, volta a tentar, mas não dá! Porque não há mais força, não há mais essência, nada para ela é vulgar, muito menos a frustração, a mentira, a vergonha!

Ele é tanto, ela é nada!

Ele de nada precisa, ela tanto insiste em lhe dar de si.. Mas já nada tem para ele e para o mundo..

Sem coragem, nem consegue mais tentar... Agora apenas tenta tentar em vão...


Mariana <3

Tuesday, March 20, 2007

Sabia? Sabe? Saberei?

Sabia sim o que era o amor. Sempre viveu um, mas nunca correspondido... Por isso, tinha sempre uma ideia sombria mas confortável do que era o amor, talvez uma espécie de obsessão que lhe gastava sorrisos, lágrimas e tempo...

Um dia, acabou por decifrar o que antes apelidava de amor e o que agora chamava de simpatia.. Encontrou a pessoa, Aquela pessoa por quem esperaria quantos anos, quantas vidas fossem necessárias. Mas descobriu-se a si, um alguém inseguro, inconsciente, que vê naquele sonho a sua única razao de viver...

E agora? O que faz? Ama? Tenta amar? Tenta compensá-lo, fazê-lo feliz, mostrar-lhe o quanto o ama? Porquê? Com o quê? Serão os seus ciumes que mostrarão o quanto o ama? Serão mentiras que arranjarão formas de o compensar por aquilo que mudou e a fez mudar?

Não. É a liberdade, a liberdade de fantasmas, de medos, de ventos que arrastam a realidade da possibilidade... Ela tem medo... Tanto medo de tudo acabar um dia... E que isso aconteça por ela, pela sua maldade... Por ele, pela paciencia que não nasceu para ser perdida nela... Pelo destino, que tanto lhes deu e tudo lhes tira...

E agora? O que faz? Deixa que as coisas cheguem ao fim? Para de lutar? Para de arranjar desculpas para os seus comportamentos, deixa-se de explicações, e senta-se à espera que o destino conserte tudo como sempre consertou?

Não. Luta, contra tudo e contra todos, luta por ele, luta por si, luta por um 'nós' nunca sequer imaginado. Luta pela sua mudança, luta pela paz, luta por um futuro que tanto anseia...

E agora? O que faz?

Não. Não faço nada...



Amo.te muito, muito mais do que é realmente possivel, muito mais do que possa aparentar, muito mais do que me deixam e nos deixam, muito mais do que toda distancia que nos empata, muito mais do que a dimensão do nosso sonho...

Amo.te, desculpa


Mariana <3